Campos não é cidade inteligente

Venho acompanhando pela mídia alguns atores políticos tentando inserir Campos dos Goytacazes no cenário das cidades inteligentes.

Quanto a isso, nada de mais, o problema é que o conceito de cidade inteligente não está, necessariamente, atrelado à cidade tecnológica e sim a bem-estar.

Como pensar em avanço tecnológico ou em políticas renovadoras com um município que continua sem conseguir, há décadas, dar ao cidadão, o mínimo necessário para a sobrevivência?

Ainda estamos com ruas esburacadas e esgoto a céu aberto em diversos bairros e distritos. A iluminação pública, em que pese o valor alto cobrado e os avanços dos últimos anos, ainda não é um serviço ofertado a todos e com a qualidade necessária. Detalhe, ainda tem gente pagando na escuridão.

O serviço de fornecimento de água também não avançou da forma que deveria. Surgiram avanços, mas a equiparação dos valores cobrados de água e esgoto revolta a população, mesmo havendo a explicação da empresa de que se gasta mais tratando o esgoto do que a água.

A dificuldade de atrairmos empresas para o município assusta os cidadãos e o fechamento de empresas e lojas vem acendendo o sinal amarelo no empresariado. Verdade que a CPI do Fundecam está buscando a devolução de milhares de reais desaparecidos, mesmo assim, falta criatividade para atrair empreendimentos novos.

As áreas de lazer público são bem acanhadas. Em países desenvolvidos, o incentivo à utilização do transporte público (estamos diante de uma grande reformulação em Campos) e de meios de locomoção menos agressores ao meio ambiente são a tônica. Em Nova York, por exemplo, setenta e cinco por cento da população não utilizam automóveis e, em alguns países europeus, há um percentual de área verdade a cada cinco quilômetros.

Em nosso município há poucas áreas verdes, poucos jardins públicos e pouco incentivo para um cotidiano saudável.

Os idosos, salvo aqueles mais abastados ou que possuem plano de saúde, ainda não conseguem ter uma saúde de qualidade, apesar dos esforços que estão sendo realizados pelos integrantes da Secretaria de Saúde do município, principalmente nas UBS e nos Postos, portas para a entrada da maioria das enfermidades.

A educação melhorou com o fim da aprovação automática (vergonhosamente implantada na gestão de Rosinha) que tantos danos intelectuais causaram aos nossos jovens e adolescentes. Contudo, a estrutura física das escolas, muitas já reformadas pela atual gestão, ainda é algo a ser tratado com atenção, principalmente nas áreas mais distantes do centro. Campos têm mais de quatro mil quilômetros de extensão.

Dentro desse contexto, qualquer um que deseje construir um projeto para que Campos possa se tornar uma cidade inteligente, precisa abandonar os conceitos tecnológicos e andar pelo município, conversando com as pessoas e entendendo as deficiências de cada local, que nem sempre são iguais.

A população de Campos não deseja nada mirabolante, nem projetos extensos e sem aplicabilidade. O lance é buscar mecanismos para ofertar emprego, saúde e educação básica de qualidade, comida na mesa e ‘pés no chão’ quando for apresentar os planejamentos para que isso possa ocorrer.

Campos dos Goytacazes está muito longe de ser uma cidade inteligente. Afinal, celular, computador, wiffi, agendamento on line de consultas, dentre outros avanços não podem ser ações prioritárias em uma cidade que ainda não conseguiu oferecer bem-estar social.