A faca, Jair e o Congresso

 Na última semana uma parcela considerável da população assistiu as informações acerca da lesão corporal gravíssima sofrida pelo candidato a presidente da República, Jair Messias.

Deixando de lado as mentiras contadas por Mourão (candidato a vice), Malafaia (pastor), Janaina Paschoal (advogada) e Magno Malta (político), de que o crime teria sido político, vamos ao que interessa: os efeitos políticos da lesão corporal.

Nenhuma pessoa, seja ela política ou não, merece ser esfaqueado em praça pública e Jair foi. Nesse contexto, nota zero para a sua equipe de segurança que não se atentou à possibilidade de um atentado-obrigação deles- e nota “menos um” para o amplo direito de ser candidato e fazer campanha nas ruas que também foi lesionado.

Na prática, os efeitos serão poucos em termos de votos. A rejeição do candidato é alta e pode até ser reduzida, não pela aglutinação de novos eleitores ou mudança de pensamento do postulante acerca de temas cruciais para o desenvolvimento de uma sociedade e, sim, pela sua parada forçada no Albert Einstein, após ser salvo em Juiz de Fora, em uma Santa Casa, onde foi tratado dentro do SUS (Sistema Único de Saúde).

Muitos acham que aqueles que dizem que a eleição de Jair não será fácil merecem punição sumária, principalmente nas redes sociais. A questão não é essa, pois o eleitor brasileiro é racional e quando exerce esse raciocínio olha a as pesquisas pelo ângulo da rejeição. Algo que define o quadro no segundo turno.

Hoje, o deputado possui quarenta e quatro por cento de rejeição (dados da última pesquisa) e, isso, mesmo ele chegando em primeiro na primeira fase da eleição, faz com que ele fique isolado no segundo turno, a não ser que ele vença em primeiro, algo que seria definitivamente histórico ou consiga apoios dos perdedores e isso, hoje, é algo improvável, pois o impossível não existe em política.

Jair é um nome forte e suas expressões ecoam suave nos ouvidos de milhares de pessoas que entendem que ele é sim o “salvador da pátria”. Porém, olha o pensamento racional de volta: nenhum eleitor vai fazer o país sair do atoleiro em que se encontra nos primeiros dois anos. Redução de criminalidade, saúde, educação, salário mínimo, são temas que continuarão ‘paradinhos’, pois nenhum chefe de executivo trabalha sem o apoio do Senado Federal e da Câmara dos Deputados Federais. Uma pergunta: essas duas casas legislativas estarão comungando na Situação ou na Oposição?

Qualquer um que vencer as eleições para presidente do Brasil terá que ter um Congresso Nacional, bem intencionado. Um presidente isolado e sem uma interlocução firme, juntos aos congressistas, está fadado às amarras difíceis de serem desfeitas. Não vai aprovar nada!

Definitivamente, uma eleição presidencial não passa somente por uma lesão corporal gravíssima.

O que aconteceu com Jair é repugnante, porém, se um atentado mudasse pleitos eleitorais, administrações ou a própria história, as mortes de Kennedy, Luther King, Malcon X e Gandi todos, diga-se de passagem, vítimas de arma de fogo teriam mudado o mundo. Esses ícones deixaram mensagens, mas a grande parcela da população até hoje não absorveu.

Saúde física para o Jair e para todos nós, e que nessa eleição, a saúde mental, tão esquecida nos dias atuais, seja o primeiro ponto a ser tratado antes de irmos às urnas.

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